
Pode-se ensinar ou aprender a fazer quadrinhos? Creio que toda pessoa possuidora de um tempero artístico, com um mínimo de habilidade para desenha, pode chegar se este for seu desejo, através de esforços e persistência a compreender, assimilar, aprender e interpretar as técnicas de realização gráfica das historias em quadrinhos em qualquer um de seus diversos gêneros.
Para o desenhista iniciante, deve-se copiar ou “inventar”? É comum a preocupação com esta questão, como se copiar fotos ou traços de outros autores limitasse a capacidade criativa ou com se o ato de “inventar” a historia toda lhe desse mais mérito aproximando o do gênio criativo. Na verdade, mesmo que pareça o contrario nada é realmente “inventado”. Tudo o que o desenhista imagina, seja ele profissional ou não, parte de uma referencia. Pode ser uma lembrança, uma recordação inconsciente, uma experiência de vida, um aprendizado, a referência sempre esta lá, mesmo no trabalho mais desconexo e surreal. Tudo não passa de uma combinação criada a partir de conhecimentos reais arquivados na memória.
No caso dos desenhistas principiantes, deve-se sempre usar referências, porque é muito mais fácil ver uma bicicleta e desenhá-la, em vez de tentar ”inverta-la”. Copiar e analisar imagens são o alimento indispensável de que necessita a memória visual do desenhista. Com o tempo, sua habilidade já plenamente exercida e desenvolvida lhe permitirá criar sobre essas referências dentro de um estilo próprio, podemos até mesmo subverter tudo o que aprendeu, ele pode transformar a bicicleta, por exemplo, num gato de pelos verdes. Tudo dependerá de seu talento e criatividade.

Uma dica importante para o desenvolvimento do traço é manter um arquivo de referências. Para isso, não é necessário comprar livros caros. Recortar fotos e ilustrações de pessoais, animais, veículos, prédios, vestimentas típicas, lugares, enfim, toda e qualquer informação visual que facilite a criação desse arquivo. Colecionando no correr dos anos, devidamente catalogados e arquivados, esse material sempre poderá ser útil.

Com relação ao material de desenho, não adianta comprar lápis importado, tintas caras, papel especial, pincéis de pêlo de marta, borrachas refinadas, pois o que vale não é o material de desenho, e sim a mão que o utiliza.
O bom desenhista de nível profissional é capaz de fazer maravilhas com uma caneta esferográfica comum, desenhar paisagens magníficas com um lápis escolar mal apontado, sobre um papel ordinário, do tipo que se usa para embrulhar pacotes. Claro o bom matéria é sempre útil e de extrema importância num trabalho serio, mas é o talento que faz a diferencia a si faz.
Adaptado do livro “La técnica Del Comic” de Josep Deá









